O que acontece depois que a história acaba?

novembro 22, 2020




Eu tava assistindo a uma série, Modern Love (o episódio que está na capa do post), pra ser mais exata, e me deparei com um episódio sem final. Como sem final? De um jeito ou de outro, todas as histórias contadas acabam em algum momento, certo?

Você não vai narrar algo infinitamente, mas o que me deixa um pouco frustrada é quando elas acabam sem terminar.

Sim, eu estou ciente de que eu estou sendo um tanto prolixa e confusa e quero prosseguir.

Nesse episódio em específico, um casal tem um encontro que é virado de ponta cabeça por um desastre, mas que faz eles se conectarem mais um com o outro. É sem dúvida uma narrativa muito bonita, mas, conforme os minutos iam passando, eu ia ficando mais apreensiva porque como as coisas vão se resolver em tão pouco tempo?

Está aí, as coisas não se resolvem!

Eu acho os preparativos para o encerramento a parte mais angustiante de cada história, porque sempre fica uma ponta solta. Por mínima que seja, sempre tem algo mal resolvido ou não resolvido de forma alguma.

Observo os minutos passarem, as páginas se sucederem...

Tenho total consciência de que posso estar sendo injusta com os autores, roteiristas e criadores de conteúdo em geral e peço desculpa de antemão. Eu como escritora também deixo detalhes subentendidos. Mas como leitora ou telespectadora eu fico louca!

Ou você também não iria querer saber se o casal ia sair outras vezes depois do encontro louco? Se eles iam ficar juntos ou não? Se iam conseguir resolver suas questões pessoais ou não?

Eu prefiro pensar que sim. Como na maior parte das histórias sem fim, eu prefiro pensar pelo lado otimista, mas isso me consome um pouco.

A intenção do autor é mesmo essa: de instigar a imaginação de quem vê, de provocar interação, de não dar tudo mastigado. Mas as vezes a gente quer as coisas mastigadas, sabe? E isso diz mais sobre nós do que sobre quem cria a obra.

Porque a forma como a história termina não depende de nós, mas se algo ficar desentendido, mal resolvido, inacabado, aí sim temos que colocar nossa imaginação para funcionar.

É estranho pensar que algo que não tivemos um pingo de influência na produção pode ser moldado por nós. Se tiver 30 pessoas assistindo uma obra, podem ter 30 alternativas diferentes de final?

E o que o criador da obra tem a nos dizer sobre o que ele imaginou? Ah, meu bem, esse é um segredo que ele guarda à sete chaves, caso contrário vai tirar toda a graça da brincadeira.

Mas também é engraçado pensar em como, mesmo quando o final é claro, não quer dizer que ele seja para sempre. Se pensarmos que as personagens continuam vivendo ali naquela dimensão, o final da história não representa um “felizes para sempre”.

Vou dar o exemplo do casal porque é algo mais simples. Vamos supor que nesse filme o casal bonitinho que se ama fica junto etc. Eles estão juntos quando a história para de ser contada, mas isso é definitivo?

Eu me peguei pensando isso quando a Globo fez uma série anos depois sobre a Malhação que ta passando agora. Eu vi o comercial e fiquei revoltada porque o casal fofinho que termina junto na novela não ta junto na série. Ri muito da minha cara depois disso. Era uma novela adolescente, eu esperava que os casais ficassem juntos a vida toda, casassem, construíssem uma família e vivessem felizes para sempre?

Possivelmente o ator do par romântico pode não estar mais na emissora e, por isso, não foi escalado para a série. É um palpite, não uma verdade. Mas achei muito engraçado que basta uma coisa assim pra um casal “felizes para sempre” passar a não existir mais.

Mas eu posso simplesmente ignorar essa nova série e pensar que o casal ficou junto e acabou. O que me impede?

O fato é que as continuações, prólogos e outras coisas estão aí pra provar que as histórias podem mudar muito depois que acabam. Mas elas precisam acabar em algum momento, entende? Aceite que ciclos se encerram e pronto (será que fui muito má nessa sentença?)!

E tendo pontas soltas ou não, subentendidos ou não, mal resolvidos ou não, elas vão depender do espectador para que seu fim seja concretizado. Afinal, a gente é quem decide no que vai acreditar.

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